Botafogo 0x0 Grêmio – padrões e ineficiência ofensiva

Nos primeiros 90 minutos da decisão por uma vaga na semifinal da Libertadores, Botafogo e Grêmio não fugiram de seus padrões de atuação. O time de Jair Ventura mais compacto, de marcação próxima e intensa, em busca de transições rápidas. O time de Renato de mais volume e posse, com valorização do passe e aproximações para fazer o time ganhar campo, jogar e criar.

Grêmio marcando com seu 4-2-3-1 em duas linhas.

Só que sem Luan e com Ramiro por dentro do 4-2-3-1 com Léo Moura aberto, os gaúchos perderam demais em jogo entrelinhas e na efetividade de seu volume e posse de bola. Sem movimentação nas costas dos volantes e a possibilidade do um contra um em uma zona fatal, teve que buscar o lado esquerdo, com Fernandinho e suas poucas dobradinhas com Bruno Cortez. O que fez de Arthur peça importante e destacável outra vez. Na dupla com Jailson, mais posicionado, o meia que joga com a cabeça alta, apoia o portador da bola e guia as transições do time de Renato. Parece estar por todas as partes. Presença fundamental para um time que gosta da bola para jogar.

O Botafogo cometeu o pecado de esticar demais a bola. Lançamentos que buscavam Roger, ou uma chegada de Bruno Silva e Pimpão, mas não trouxe sucesso. Voltando de lesão, João Paulo, mais recuado, não conseguiu acelerar a saída ao lado de Matheus Fernandes, o que permitiu pouco a Léo Valencia, centralizado no 4-2-3-1. Quando avançava, o time de Jair era lento na recuperação, como o mesmo admitiu em coletiva após o jogo. Espaçado, encontrava dificuldade em marcar as transições de Arthur, perdia a segunda bola e como efeito dominó, tinha dificuldade em sair jogando. Sobrava o lançamento, a bola batia e voltava. Bruno Silva, em um dos poucos apoios efetivos de Gilson, levou perigo na bola alta.

Botafogo posicionado e Grêmio se movendo para triangular e avançar.

Jair corrigiu os erros posicionais do primeiro tempo e retornou do intervalo com linhas mais altas e marcação mais intensa e próxima. O que dificultou a saída de bola e as transições do time treinado por Renato Gaúcho. Mas, ainda assim, ofereceu muito pouco perigo a meta de Marcelo Grohe. Em cinco tentativas, nenhuma finalização certa. Na chance fatal, erro de Cortez, que Roger, livre, não aproveitou. Nem mesmo as entradas de Guilherme e Marcos Vinicius em busca de mais velocidade no terço final alternaram o panorama.

Com Everton na vaga do lesionado Barrios, o Grêmio perdeu a referência, mas ganhou mais velocidade para transitar seus 54% de posse de bola. Aproveitou o modo mais aleatório do Botafogo com o passar do tempo e trocou passes, esfriou o jogo. Mais precisamente, 373 toques certos, 92% dos que tentou. Alto índice,  que resultou em 11 finalizações com quatro acertos. A bola do jogo esteve nos pés de Fernandinho, tirada por Joel Carli sobre a linha.

Bom para o Grêmio, que receberá o Botafogo com o favoritismo ao seu lado no próximo meio de semana. Talvez com Luan e Geromel – que fez pouca falta. Em um plano ainda mais compacto e reativo, como gosta, time de Jair terá de produzir muito mais do que conseguiu no Nilton Santos. No jogo de atuações padronizadas em relação ao modelo e a ideia, mas ineficientes na hora de criar ou definir as chances.

Dados estatísticos: Footstats.net

Panorama do segundo tempo no Rio.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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