Organização é o principal trunfo do São Paulo contra o rebaixamento

Dorival Júnior chegou ao São Paulo em julho, com a dura missão de afastar o time da zona do rebaixamento. Na rota do trabalho, muitas chegadas e partidas, sequência de jogos com impossibilidade de treinos e pressão interna. Contexto que dificulta qualquer transição de comando, ainda mais em um clube pouco habituado com esse tipo de situação. Um dos poucos apoiadores foi o fator casa e a torcida que abraçou o time na luta contra a degola, apesar dos tropeços no Morumbi.

Em campo, a chegada de Hernanes foi um ponto importante na mudança do time. Com o Profeta, além do que agrega naturalmente, Dorival trocou o 4-2-3-1 por um 4-1-4-1 com Petros e Jucilei na trinca com o camisa 15. Dando ao time força na marcação e qualidade na saída de jogo, para trocar passes e avançar… Porém, por outro lado perdeu o melhor de Cueva, aberto ao invés de centralizado como no sistema anterior. Também na marcação, já que o peruano não é dos mais ativos sem a bola e por vezes deixava o time descompactado, espaçado.

Depois de alguns jogos, veio outro ajuste: a mudança de posição entre Petros e Jucilei. Com o camisa 25, a saída e as coberturas estavam lentas demais, já com Petros o São Paulo ganhou dinâmica nas transições e mais velocidade na saída para o jogo. No triunfo em Salvador, sem Jucilei, com Gomez e depois Cueva, o time de Dorival ficou ainda mais agressivo com a bola nos pés – o que pode fazer Jucilei perder a vaga no time.

Petros a frente da zaga, fazendo a saída de bola.

Outro que entrou e parece ter garantido posição, ao menos por mais algumas rodadas, foi o jovem Lucas Fernandes. Aberto inicialmente na vaga de Cueva, o meia trabalha da ponta para dentro, ajudando Hernanes nas transições, flutuando as costas dos volantes, oferecendo apoio ao portador da bola e jogo entrelinhas. Além de uma das coisas mais importantes: recomposição, mantendo o time compacto! Assim como Marcos Guilherme, ponta de mais incisividade e um contra um, faz do lado oposto. Todos ajudando sem bola, algo fundamental.

São Paulo compacto no 4-1-4-1!

Com a bola, o São Paulo também evoluiu coletivamente. Com possibilidades de triangulação e apoio ao portador da bola… Repare no flagrante abaixo: Marcos Guilherme recebe por uma ponta, Jonatan Gomez infiltra e Hernanes apoia oferecendo opção. Por dentro, Lucas Fernandes trabalha entre as linhas enquanto Júnior Tavares dá amplitude pelo lado que o meia deixou para centralizar. É como uma engrenagem. Todos se mexem para que o time possa funcionar.

São Paulo se movimentando para trocar passes e avançar.

O São Paulo de Dorival vem evoluindo, isso é nítido. Nem sempre o resultado acompanha, mas jogar bem sempre aproxima do triunfo. Faltam catorze rodadas e cada jogo é decisivo na luta contra o rebaixamento. A favor do time do Morumbi um padrão de atuação e organização, grande trunfo em busca da recuperação!

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

2 comentários em “Organização é o principal trunfo do São Paulo contra o rebaixamento

  • 19 de setembro de 2017 em 12:14
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    Rai, parabéns pelas análises. Uma pergunta: vc indica algum livro sobre o assunto?

    Resposta
    • 19 de setembro de 2017 em 12:20
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      Fala Erick, obrigado pelo comentário! Tem vários. Os dois do Guardiola, Tatica Mente do PVC, e também o Pirâmide Invertida da Grande Área

      Resposta

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