City segue evoluindo e já desenha briga por título na Inglaterra

A primeira temporada de Pep Guardiola na Inglaterra foi de muita expectativa e pouco êxito. Eliminado nas oitavas de final da Champions League, terceiro colocado na Premier League 15 pontos atrás do campeão Chelsea e, sobretudo, com pouquíssimas atuações para se recordar. Desempenho baixo. Muitos colocaram o trabalho do catalão em xeque em uma liga mais competitiva.

Com boas composições no elenco que parecia desequilibrado na última temporada, a reposta no começo desta é bem positiva. Vitórias acompanhadas de boas atuações, com a solidificação de um estilo de jogo que cada vez parece mais compreendido e bem executado pelos jogadores.

Na visita ao atual campeão, Pep não tinha Mendy e Aguero, titulares no time considerado ideal. E outra vez desenhou a equipe num 4-3-3, variação ao esquema com três zagueiros, montado para abrigar e potencializar a dupla Aguero-Jesus no comando ofensivo. Logo de início, a dinâmica para jogar ficou bem evidente: Delph saindo da lateral para centralizar, Walker, que jogava do lado oposto, formando linha de três atrás, com Sané dando amplitude – que é abrir o campo, função que geralmente é dos laterais – pelo lado esquerdo. A ordem para os homens de centro era se de movimentar, sempre oferecendo apoios ao portador da bola, o que faz a bola rolar mais e melhor:

Dinâmica de saída de bola do City.

Conte montou um meio campo mais preenchido com Bakayoko entre Kante e Fábregas. A preocupação com os movimentos de Kevin De Bruyne e David Silva era clara e importante para permitir pouco ao jogo de posição de Guardiola. Mas acabou resultando em um jogo muito pouco eficiente quando o Chelsea tinha a bola.

Com Hazard centralizado ao lado de Morata no ataque, os donos da casa perderam amplitude, já que Alonso e Azpilicueta estavam preocupados com Sterlling e Sané, e avançaram muito pouco. Nas poucas tentativas de saída curta, a pressão do City abafava… Nas bolas lançadas, não havia alguém para dominar e reter enquanto o time avançasse, ou até tentar o um contra um, grande característica dos homens de lado quando o time atua no usual 3-4-3.

Chelsea bem compacto, cortando as linhas de passe.

O padrão defensivo foi mantido. Mesmo com três mudanças na última linha, a coordenação dos setores prevaleceu. Linhas sempre próximas, matando a zona da área – que é se posicionar a frente da meia lua, como na imagem acima – cortando as linhas de passe e negando qualquer infiltração por dentro.

A saída de Morata lesionado para a entrada de Willian colocou o Chelsea contra a parede no segundo tempo. O cerco a saída de Fernandinho acabou e o Manchester City empurrou as linhas dos blues para trás, o que permitiu mais trocas de passe no terço final e uma proximidade maior da meta de Courtois. A produção ofensiva aumentou.

62% de posse com mais 650 passes certos. Um universo de 17 finalizações com seis acertos. A vitória com belissimo gol do multifuncional De Bruyne em tabela com Gabriel Jesus, que evolui como pivô e segundo atacante nas mãos de Guardiola, também poderia ser mais larga.

Mas bastou para indicar o melhor no duelo entre times da parte alta da tabela. O City evoluiu, desempenha e vence com méritos. Cresce na luta pela ponta com o United de Mourinho. Parece pronto para brigar pelo título da Premier League.

Dados estatísticos: Premier League.

Facebook Comments

Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *