Atlético de Madrid 1×1 Barcelona – equilíbrio e erros estratégicos

Ernesto Valverde surpreendeu na escalação divulgada pouco mais de uma hora antes da bola rolar no bonito e recém inaugurado Wanda Metropolitano, que viveria sua primeira grande noite espanhola. Na vaga do lesionado Dembele, o “rodízio” apontou para André Gomes, meia português que pouco apresentou desde sua chegada ao clube catalão.

Escolha injustificada, ainda quando foi confirmado como ponta direita, com Deulofeu, que está longe de ser um novo Neymar mas tem mais qualidade para essa função, no banco. Daria mais velocidade ao modelo que necessita de movimentação para criar linhas de passe com sua alta posse de bola. Com Messi centralizado, um ponta de incisividade é fundamental para não se tornar dependente demais dos movimentos do argentino.

Do outro lado, Simeone, a espera de Vitolo e Diego Costa, manteve os onze que já estão na boca do torcedor. Mais recentemente, com o argentino Corrêa, artilheiro da equipe na Liga, na vaga de Fernando Torres, para ser o companheiro de Griezmann no ataque colchonero. Mais mobilidade para o jogo de transição, que precisava tirar Pique e Umtiti da área e mexer com a primeira linha do meio campo.

Barcelona marcando em duas linhas de quatro com Iniesta e André Gomes retornando pelos lados. Atlético tentando explorar as entrelinhas com a bola nos pés.

Deu certo quando Carrasco, Filipe Luís e Saúl se aproximaram e trocaram passes com velocidade. A defesa parou, não encontrou a marcação e livre o meia espanhol acertou um lindo chute de fora da área para abrir o placar. Vantagem no momento em que o Atlético era melhor e Ter Stegen já havia defendido ao menos duas finalizações muito perigosas.

Velha receita: pressão, compactação, concentração, força mental e velocidade na saída foram os pilares de um primeiro tempo superior, mesmo com apenas 30% de posse, dos colchoneros. Das cinco finalizações, três acertam o gol. Do outro lado, o Barça só fez Oblak trabalhar uma vez em também cinco tentativas.

Porque o 4-2-3-1 que Valverde idealiza ainda tem alguns problemas de execução. Como fazer com que a posse se traduza em mais infiltrações sem Neymar e com Messi já centralizado. Com André Gomes pela direita, nem profundidade, tão menos incisividade – jogadas de um contra um, importantes para tentar abrir sistemas fechados. Do outro lado, Iniesta, que se divide entre o lado e o centro para jogar com Busquets e Rakitic, ficou sobrecarregado sem apoios constantes de Alba e a missão de retornar para compactar duas linhas sem a bola. Sobrou Messi, no centro, encaixotado pela exemplar marcação de Simeone. O camisa dez só recebia com espaço na linha do meio. Zona morta, onde não tem com quem jogar. Longe do gol. Não permite o melhor passe, nem o chute!

Barça em transição ofensiva, distante, com Messi encaixotado. Não conseguia triangulações produtivas, mais passes de um lado para o outro.

O volume do Barça com muita posse e toques com pouco poder de infiltração, de um lado para o outro, voltou para o segundo tempo. Mas começou a tornar efetivo quando Valverde colocou Sergi Roberto e Deulofeu, cada um em sua característica e posição, jogadores com mais poder de infiltração com a bola nos pés. O que também apoiou isso foram as mudanças de Simeone: Thomás e Gaitan nas vagas de Carrasco e Corrêa, que tiraram a velocidade na transição e recuaram o time para defender a própria área por muito tempo.

Fatal quando Luís Suarez também foi jogar dentro da área e consequentemente perto do gol. O centro de Sergi Roberto encontrou o pistoleiro livre para deixar tudo igual. Mudança importante também em relação à atuação de Nelson Semedo, pouco ativo. O Barça ainda poderia ter virado na falta de Messi no último minuto. Ou até mesmo se a posse fosse ainda mais efetiva durante todo embate. As finalizações certas subiram de uma para sete em quinze tentativas. O que mostrou a melhora, condicionada pelas mudanças de lado a lado.

Clássico de equilíbrio e boa disputa, mas que foi diretamente influenciado pelos erros estratégicos de Simeone e Valverde. Ainda assim, nada que mude o panorama de briga pelo título com o Real Madrid e grandes noites europeias.

Panorama final no Wanda Metropolitano: Barça empurrando Atlético para trás com presença ofensiva.
Facebook Comments

Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *