Alberto Valentim pode ser o Fábio Carille alviverde

2017 foi um ano intenso no Palmeiras. Começou com Eduardo Baptista, que herdou o título nacional de Cuca e as milionárias contratações em busca do bi da América. O bom expoente da nova safra priorizou organização tática e um jogo com alicerces mais modernos. Mas foi engolido pela falta de paciência para entender a ruptura no trabalho e os pré-julgamentos pela falta de grife. A queda na semifinal do Paulistão pesou, mesmo após a melhor campanha da fase de grupos e a classificação encaminhada na Libertadores. Cuca voltou com status de salvador da pátria. Com ele, a calça roxa e as velhas práticas que resultaram em um desempenho ruim, sem o título nacional ou um grande craque para apoiar o trabalho pouco satisfatório em campo. A sequência negativa, o desgate com o elenco e a distância para o Corinthians minaram e a decisão conjunta foi pela saída. Há onze rodadas do fim do Brasileirão, com Mano Menezes no horizonte e um G-4 bem encaminhado, oportunidade para Alberto Valentim. O auxiliar que sempre sonhou com a chance de permanecer e mostrar serviço – como Carille no ano passado.

Diante da Ponte Preta no Pacaembu, Alberto completou o segundo jogo à frente do alviverde. Muito pouco para medir suas ideias e saber qual sua possibilidade de sucesso em uma possível efetivação. Porém, desde o jogo do fim de semana contra o Atlético/GO, já foi possível ver o time com algumas mudanças, tanto comportamentais, quanto táticas. Que devem nortear o trabalho do agora técnico.

Poucas mudanças e confiança

Valentim repetiu a escalação nos dois jogos em que comandou. O que era um problema para Cuca, pode ser um trunfo para moldar o time ao que pensa, mesmo com pouco tempo treinar e mais na base da conversa, dando confiança aos jogadores e com isso otimizando o desempenho em campo. A grande troca foi no ataque, com a saída do intocável Deyverson para a entrada de Keno, aberto para Willian jogar como referência do 4-3-3. A resposta foi positiva: Keno deu quatro assistências e marcou um gol, assim com o camisa 29, que na nova função, também balançou a rede no período. Outro que ganhou algum espaço foi Borja, que jogou boa parte do duelo contra a Ponte após a lesão de Willian e também marcou depois de um longo jejum. Confiança importante para a reta decisiva.

Mais Eduardo, menos Cuca

O Palmeiras sem dúvida ainda não tem a cara de Valentim. Isso não é nem possível. Porém, o time já tem algumas mudanças de postura em campo e elas remetem mais ao time de Eduardo Baptista, do que ao de Cuca. Prezando pela organização ao invés de um jogo mais franco e arriscado. Com mais conceitos que potencializem o coletivo, deixando o time mais maduro do ponto de vista de conjunto, e menos depende de lampejos individuais. Menos suscetível a erros, mais próximo assim de vencer.

Por exemplo: o time de Cuca era de um jogo mais longo, com bolas na referência e cruzamentos em dezenas. Valentim pede aproximação, saída em toques, movimentos para oferecer apoio ao portador da bola e isso ficou evidente nos dois jogos. É bem verdade que a equipe também vai pensar como antes em muitos momentos, rifando, lançando, ligando o ataque por cima… é natural pela mudança repentina. Mas tende a diminuir jogo a jogo.

Palmeiras se aproximando para sair jogando, todos de olho na bola!

Time mais bem posicionado, defesa sofre menos

Outra mudança que já foi possível ver com Valentim, mesmo que mais na orientação do que em treinos, é em relação ao posicionamento sem bola. Cuca pedia alta intensidade nos encaixes de marcação individual. Muitas vezes longos,  eles escancaravam a defesa, permitindo infiltrações no meio da área e chances a qualquer momento. O “novo” Palmeiras joga com a última linha mais posicionada e protegida, dosa o ritmo, apostando em compactação e coordenação dos setores. Há momentos em que o movimento de marcação individual é quase que involuntário e acontece, como dito acima é algo “automático”, mas para isso coberturas tem sido trabalhadas afim de não esvaziar nenhum setor. Apenas um gol sofrido, de pênalti, ilustra um pouco dessa correção.

Palmeiras mais protegido e compacto.

Alberto Valentim teve um bom início. Duas vitórias com segurança e boas atuações. Recuperou a confiança de alguns que pareciam esquecidos e parece traçar um caminho bem interessante. Agora terá pela frente Cruzeiro e Grêmio, antes do ansiado encontro com o Corinthians de Fábio Carille em Itaquera. Jogos que podem pesar para sua permanência, algo que também esta condicionado a resposta de Mano Menezes, é bem verdade.

Entretanto, se o Palmeiras vislumbra um futuro de títulos, partindo do pressuposto que de um time mais bem organizado, com um técnico que tenha aceitação do grupo, apoio da torcida e bom desempenho em campo, coisas que Valentim vem apresentando, está mais próximo das conquistas, o nome está mais que definido. E o espelho para essa escolha, sem grife, mas com trabalho, está na parte mais alta da tabela.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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