Melhor Grêmio volta e pulveriza frágil Barcelona em Guayaquil

Em diversos momentos do 2017 de futebol, o Grêmio foi considerado e jogou como melhor time do país. Se sem sobra de dúvidas o Corinthians de Carille era o mais sólido, os comandados de Renato Gaúcho reuniam técnica e eficiência, em um jogo bonito, propositivo e moderno. Com importantes pilares como Pedro Geromel, Arthur e Luan, de vagas na seleção, além do goleador Lucas Barrios, que renasceu após um ano ruim no Palmeiras. Não houve aperto na Libertadores até os duros jogos de quartas de final contra o Botafogo. Já sem Pedro Rocha, um dos grandes responsáveis pelo funcionamento ofensivo tricolor. Não só por isso, o rendimento caiu. O favorito ao hexa ficou na semifinal da Copa do Brasil e viu a briga pelo título nacional ficar mais distante. Jogos e resultados ruins. Desempenho em queda. Questões que o Grêmio levava na mala para o jogo em Guayaquil.

Mas no lotado estádio do Barcelona, 20 minutos foram necessários para responder às dúvidas. Primeiro com Luan, livre na sobra do cruzamento de Cortez. Depois com Edilson, de falta, numa barreira inexplicável de Banguera. O Grêmio aproveitou as fragilidades do adversário para jogar, criar, atacar. Nada de fechar a casinha e sofrer por uma chance. Sem o medo que muitos brasileiros têm no continente, por ser Libertadores. Porque o Barcelona era desorganizado, algo que sempre pode ser aproveitado por times inteligentes.

Grêmio compacto em duas linhas, meio do Barcelona vazio. Resta abrir e cruzar ou forçar na referência.

Sem bola, o time de Guilhermo Almada dava generosos espaços para o camisa sete transitar entre as linhas, principal arma dele e do Grêmio. Descompactado, sem coordenação, nem concentração. Com a posse, avançava de maneira desordenada e sem movimentação pelo meio, buscando o lado do campo e os cruzamentos. Pegando muitas vezes uma defesa bem postada. O talentoso Damian Diaz foi anulado por Jailson, que se descolava da linha para uma marcação mais homem a homem em alguns momentos, ainda assim  sem desorganizar os setores.

Com seus 57% de posse, o time equatoriano levantou 36 bolas na área de Grohe, e teve em uma delas a chance mais cristalina do jogo. Defesa histórica do arqueiro tricolor na finalização mais que a queima roupa de Ariel. Uma das quatro certas em 15 tentativas. Muitas no jogo aleatório. O Grêmio foi mais econômico e eficiente: nove finalizações, quatro acertos, três gols! O último novamente explorando o grande espaço cedido pelas linhas do Barcelona: tabela entre Luan e Ramiro, com conclusão do grande craque da companhia, outra vez livre na área. Uma atuação que sem dúvida o coloca de vez nos planos reais de Tite para o mundial da Rússia.

Grêmio com muito espaço na transição ofensiva. Linha defensiva desmantelada, meio campo aberto.

O encontro da próxima semana na Arena será protocolar, quase em ritmo de festa, mas sempre respeitando o jogo. O melhor Grêmio voltou para a reta de decisões, mostrou a Santos e Palmeiras como se relacionar com a pressão do grande jogo e deu outras lições estratégicas, batendo um frágil Barcelona sem dificuldade, nem dúvidas. Com o futebol vistoso e eficiente do primeiro semestre, é impossível não sonhar com o tri-campeonato da América!

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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