Itália fora da Copa: a desventura da camisa que não pesou mais que a desorganização

A Itália foi campeã do Mundo em 2006 com um grande time. Buffon, Cannavaro, Pirlo, Del Piero e Totti, estrelas mundiais que estavam entre os jogadores do tetra. Quatro anos mais tarde, com uma base campeã e envelhecida, a azzura deu vexame na África do Sul. Caiu na lanterna e sem vencer nenhum jogo no grupo que tinha Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia. Um duro golpe.

Prandelli chegou com a missão de renovar a seleção. Conseguiu um bom resultado na Euro em 2012, vice-campeão diante de uma Espanha que dominava o continente. Ventos que mudaram na Copa do Brasil, quando os velhos fantasmas deram o tom novamente. Queda na última rodada diante do Uruguai, depois de vencer a Inglaterra e perder para a Costa Rica. Faltava qualidade, mas também um jogo de mais organização.

Hora de mudar de novo. Tempo para o multicampeão na Juventus, Antonio Conte. Com seus níveis de loucura a beira do campo bem próximos da competência para fazer de uma geração pouco talentosa, um time extremamente competente, a Itália fez uma Euro muito digna na França. Deixou a geração belga para trás, eliminou a Suécia de Ibra e a Espanha com show, fez frente à Alemanha e só caiu nos pênaltis. Deixou a impressão de que poderia competir. Mas o caminho era recuperar a organização e a solidez que fez do futebol na terra da bota um dos mais conhecidos do mundo. Berço das questões defensivas do jogo.

E poderia competir mais, não fosse o antiquado Giampiero Ventura, principalmente responsável pela não classificação da Itália a uma Copa do Mundo depois de 60 anos. Depois de atuações melancólicas na fase de grupos das eliminatórias europeias para o Mundial, com direito a humilhação como os três a zero para a Espanha na Santiago Bernabéu, a direção foi mantida na volta contra a Suécia, depois de uma ida bem pobre.

A boa notícia parecia ser Jorginho, primeiro homem de meio campo no 3-1-4-2 que buscava ligações diretas, lançamentos e cruzamentos. O meia do Napoli auxiliava os zagueiros na saída de bola e se apresentava à frente para o trabalho de armação no terço final. Oferecia mais bola no chão e lucidez ao jogo quase totalmente aleatório de Ventura. Um convite a defesas bem postadas. Não à toa, as melhores chances saíram dos pés do camisa 7. Em especial, os dois passes para Immobile, que por muito pouco não marcou o gol que desafogaria o San Siro.

Foi tudo que a Itália conseguiu com seus 75% de posse de bola, algo que se estendeu durante todo o confronto, que acabou com mais de 20 finalizações dos donos da casa. Poucas de real perigo ao gol de Olsen. Porque a Suécia se manteve concentrada e compacta à todo momento. Suas quase que intransponíveis duas linhas de quatro conteram o ímpeto, cortaram o volume e permitiram muito pouco. Sem dúvidas também aliviadas a medida que Ventura mexia mal no time.

Na etapa final, menos lucidez, mais desespero e bolas cruzadas. Jorginho começou a sumir. Belotti e El Shaarawy entraram para povoar a aérea junto à Immobile. Chiellini virou armador do jogo aleatório. Com características construtivas, Bernardeschi entrou tarde demais e não pôde agregar. Mas nada tão inexplicável como nenhum minuto para Lorenzo Insigne, o mais talentoso expoente da geração italiana, carente de valores individuais. Não é o ideal, mas em um lampejo final poderia dar certo.

Mas o destino italiano estava definido. O barco afundou com muitos braços tentando levantar, mas sem um comandante que pudesse arquitetar algo. O futebol pobre da Itália de Ventura não fará falta na Rússia. Mas histórias como a de Buffon não poderiam ser encerradas desta forma. Desventura da camisa pesada, que não foi páreo a desorganização.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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