Dérbi londrino prova: o Arsenal de Wenger pode competir mais!

As perspectivas antes da bola rolar no Emirantes era bem mais positivas ao Tottenham do que ao Arsenal. Porque o time treinado por Maurício Pochettino vive um momento bem superior na temporada, mais bem ajustado, com atuações de alto nível e vitórias convincentes sobre gigantes como Real Madrid e Liverpool. Classificação antecipada na Champions – que o rival sequer participa – e terceiro lugar na Premier League atrás apenas da dupla de Manchester. A invencibilidade de seis jogos em dérbis pela competição nacional era mais um ingrediente a favor dos Spurs.

“Favoritismo” que se inverteu diante da boa atuação gunner desde o início do jogo. O time treinado por Arsene Wenger começou subindo as linhas e pressionando a saída do Tottenham. Tomou a iniciativa da partida, propôs o jogo com volume e movimentação ofensiva, enquanto os comandados de Pochettino buscavam as transições em velocidade para a dupla Kane e Dele Alli, os mais avançados do 5-3-2.

Tottenham postado no 5-3-2 sem a bola. Linhas próximas para dificultar a troca de passes do Arsenal.

Duelo de linhas de cinco, que se tornou a grande “febre” do futebol internacional, principalmente na Premier League, após a exitosa campanha do Chelsea de Antônio Conte na última temporada. Um dos primeiros que mudaram seu estilo influenciado pelo atual campeão inglês, foi o Arsenal. Mas diferente da atuação da última rodada diante do City, em que o time não teve solidez defensiva e nem soluções ofensivas, contra os Spurs o modelo funcionou melhor.

Atrás, atuação soberba de Koscielny, que liderou o eficiente sistema, contra o perigosíssimo Kane e os talentosos Dele Alli e Eriksen. No ataque, boas ultrapassagens de Bellerín e Kolasinac, abastecendo, junto a Ozil e Sanchez, o ataque comandado por Lacazette. Com o bom passe de Xhaka e Ramsey de trás, o Arsenal teve grande volume ofensivo e muitas possibilidades de infiltrar no fechado sistema dos visitantes.

Veja o exemplo abaixo, do segundo gol. Quando Bellerín recebe, os pontas centralizam e a sua frente “apenas” a linha de cinco do Tottenham contra quatro opções de infiltração do Arsenal. O acerto do passe e do tempo do deslocamento são fatais e ajudam a quebrar a linha. Lacazette serviu Sanchez para anotar.

Quatro jogadores projetando a infiltração na defesa do Tottenham. Deslocamentos em velocidade contra o bom sistema defensivo.

Os dois a zero de vantagem minaram o jogo do time de Pochettino, pautado em posse, boa circulação, domínio do meio campo e volume ofensivo. O segundo tempo foi de tentativa de pressão sem sucesso, de uma abafa desorganizado e com poucas possibilidades de criar chances claras de gol. Derrota que não anula a boa temporada dos Spurs até aqui. O time treinado pelo ótimo argentino tem grandes qualidades e vem tendo atuações de muito bom desempenho.

O que só valoriza a vitória do Arsenal. Intenso, móvel, preciso… Nem parecia o time que tanto oscila e apresenta atuações baixo nível técnico e tático. Sem confiança de torcida e critica. O dérbi londrino deixou a lição de que os gunners podem competir mais!

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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