Grêmio e Lanús, na final que não precisou de muitos lances ou gols para ser bem disputada

Finais são jogos naturalmente mais tensos. O nível de concentração e a carga emocional estão nas alturas, o que muitas vezes deixa o embate mais truncado e com menos chances claras. É um roteiro quase natural. Poucas decisões são de muito brilho técnico. Mas algo não pode faltar: organização e ideias que possam deixar o jogo ao menos interessante. Nervosismo não pode ser desculpa para bagunça… nessa linha, Grêmio e Lanús fizeram uma final com não mais que três chances claras, mas as propostas bem definidas e treinadas fizeram com que o duelo fosse interessante e bem disputado.

Começando pela tentativa de blitz inicial do tricolor, aquela pressão mais intensa nos primeiros minutos, que já virou rotina de quem joga em casa, precisa propor e vencer o jogo. O Lanús de Almirón entendeu. E por mais que seja um time também de posse, recuou, fechou a frente da área e conteve o ímpeto do Grêmio. Sem qualquer espaço na entrelinha – espaço, como o nome diz, entre as linhas de marcação -, não permitiu a circulação de Luan, algo vital na semifinal contra o Barcelona em Guayaquil. O Grêmio não teve seu principal poder de criação.

Pressão no Grêmio na saída do Lanús.
Pressão do Grêmio na saída do Lanús.

Depois dessa pressão inicial, os “granate” começaram a impor seu estilo. Posse de bola, trocas de passe e apoios bem claros para avançar. Sem nunca abdicar da saída por baixo, fosse com Marcone, primeiro volante, (como mostra a imagem acima), ou com o goleiro Andrada trabalhando de líbero (como mostra imagem abaixo), bola sempre no chão, com opções para ganhar campo tocando. Sem lançamento, tão menos chutão. Ideia proposta por Jorge Almirón e bem assimilada com algo fundamental: tempo!

Saída de bola do Lanús com Andrada como líbero

Enquanto o Grêmio não encontrava Luan, não tinha fluidez em sua troca de passes, nem cria chances, vendo seu nível de pressão cair, o Lanús se ambientava cada vez mais. Circulava pelo campo com tranquilidade e até algum espaço na marcação por encaixes de Renato Gaúcho, conseguia desorganizar o sistema. Com Martinez em chute de fora, após bela jogada trabalhada, e depois José Sand pelo alto, criou as duas melhores chances do jogo, com defesas fantásticas de Marcelo Grohe.

Lanús no ataque: triangulação, movimentação e possibilidade de infiltração.

Renato corrigiu isso na volta do intervalo: mais pressão na bola, para cortar as linhas de passe e dificultar a saída coordenada por Marcone. O Grêmio conseguiu recuperar o protagonismo e o nível de intensidade na disputa. Ocupou o campo ofensivo, mas seguiu sofrendo com o problema de criação. Luan encaixotado, Arthur sozinho nas transições e pontas muito abertos, além é claro das linhas próximas dos argentinos, não permitiram triangulações e jogadas por baixo.

O Lanús aceitou um segundo tempo pressionado, de correr mais atrás e reter menos. Não conseguia ter a bola, também não tinha liberdade para jogar. Renato começou a tentar resolver os problemas de criação com Everton na vaga de Fernandinho. Mas só velocidade não era o problema. Depois veio Cícero para tentar qualificar a saída e ter mais um argumento na bola alta. Por último Jael, para um jogo mais aleatório de reta final. Deu certo na casquinha do atacante para o gol do meia, já nos minutos derradeiros, que ainda tiveram um pênalti não assinalado para o tricolor.

Pressão intensa do Grêmio no segundo tempo. Todos de olho na bola!

A marca da vitória fica sobre a mudança de Renato, efetivamente importante quando colocou o assistente e o autor do gol. Algo que só complementa a leitura estratégia, fundamental quando o jogo estava complicado. Sem isso, talvez nem o abafa resolveria. Ao mesmo tempo que ficam os alertas e as lições sobre um adversário muito bem treinado e forte em casa. Vivo na luta pelo título. Nos primeiros 90 minutos da final, Grêmio e Lanús mostraram como um jogo pode ser bom, mesmo ser ter chances e gols empilhados aos montes e sim sendo técnica e estrategicamente bem jogado!

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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