Grêmio tricampeão da Libertadores! O título do time que jogou o melhor futebol do continente

Diz a lenda que para se vencer um campeonato como a Libertadores é preciso entender a “mística” da competição. Catimba, pancadaria e hostilidade são fundamentais. A “avaliação” se estende quando falamos dos argentinos. Todos eles jogam assim e não há possibilidade de ser diferente. Julgamentos de quem viveu um outro tempo de futebol, embasado por um passado bem distante. Santos e Corinthians mostraram o contrário na dobradinha brasileira em 2012-13. O aguerrido San Lorenzo ganhou com boas atuações. Como o River Plate, de incrível recuperação em 2015. E o Atlético Nacional de 2016? Como jogava bonito. Para muitos, o melhor time do continente na década. O Grêmio de Renato Gaúcho entendeu o recado…

Nos primeiros minutos da final em Buenos Aires, linhas altas e pressão na saída de bola do Lanús. Sem o jogar por uma bola. Porque jogar por todas é sempre melhor. Mas também por saber que o time de Jorge Almirón tem como principais características a troca de passes e os apoios para levar a equipe ao campo de ataque. Um modelo, que tem como objetivo ter a bola para jogar. Se Renato entendeu isso e pensou uma estratégia para neutralizar a principal ação do adversário, estudou, analisou, pensou. Mas é claro que não vão faltar os que dizem: “sem estudar nem usar terno, ganhou a Copa do Brasil e a Libertadores”. Outro desserviço.

A pressão do Grêmio na saída do Lanús

Porque o Grêmio é um time extremamente organizado, com um modelo flexível e variações que potencializam os talentos. Isso é resultado de trabalho, análise, estudo.

Os primeiros 45 minutos da decisão tiveram um dono: Arthur! Posicionamento, desarme, controle do meio com passes curtos e longos. Dosou o ritmo e fez jogar. Tudo com tranquilidade e concentração, apoiado pelos companheiros, também inseridos numa ideia de futebol.

O gol de Fernandinho no contra-ataque desmanchou um Lanús pouco confortável pela postura tricolor. Porque o time da casa não conseguia trocar passes desde Andrada e os espaços bem marcados pelas linhas próximas do Grêmio negavam qualquer opção e possibilidade de transição ofensiva. Entrou a inteligência de Luan, mais móvel e com mais espaço do que na ida. Um mix de oportunidades que resultou no golaço que selou o camisa 7 como grande jogador do Brasil em 2017. Vital. Desequilibrante. Decisivo.

Grêmio organizado em duas linhas de quatro em seu campo. Lanús tentando atacar com apoios e movimentação.

Mesmo atrás, os “granate” não apelaram em nenhum momento. E deixaram outro ensinamento: perderam tentando jogar, sem catimba, pancadaria ou “cenas lamentáveis” ao fim do jogo. “Porque argentino é assim”. Mantiveram sua postura e modelo, sempre tentando evoluir a base da troca de passes. A saída de Arthur retirou do Grêmio o controle com a bola nos pés. A velocidade das saídas também caiu e com isso o volume dos argentinos cresceu. Não chegou a ser uma pressão. Só o frisson depois do gol de José Sand no pênalti de Jailson sobre Lautaro Acosta e a expulsão de Ramiro. Minutos em que o time de Renato entendeu que era melhor recolher as linhas e defender a frente da área. Foi quase uma contagem regressiva pelo tri!

Em 22 anos o futebol mudou muito. Quando o Grêmio venceu a última Libertadores em 1995, talvez outras artimanhas fossem mais importantes do que jogar o jogo. Em 2017 e daqui pra frente ainda mais, não. Bom para o torcedor do tricolor que Renato Gaúcho e sua equipe entenderam isso.

O Grêmio é tri campeão da Libertadores, e joga futebol. Muito bom futebol. Organizado, com modelo bem executado, qualidade individual e coletiva. Sem pancada, cuspe ou catimba. Que sirva de lição. Mais uma vez.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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