A estratégia de Heynckes fortaleceu o Bayern, que bateu o Paris em seu primeiro grande teste

O Paris Saint-Germain desembarcou na Allianz Arena com apenas uma derrota em 22 jogos na temporada europeia. A longa invencibilidade caiu no último sábado, diante do modesto Strasbourg, fora de casa pela Ligue 1. Algo circunstancial e que muito provavelmente não acontecerá mais tantas vezes no torneio em que lidera com nove pontos de vantagem para o vice-líder Lyon.

Durante a sólida, mas ainda curta caminhada, o time de Unai Emery teve alguns desafios, mas nenhum tão grande quanto enfrentar um penta campeão europeu como o Bayern, mesmo que ainda distante de seu melhor rendimento, fora de casa.

É bem verdade que há algumas semanas, este mesmo PSG destroçou o Bayern em Paris, no jogo que decretou a demissão de Carlo Ancelotti do comando bávaro. Mas de lá pra cá, Jupp Heynckes voltou e vem fazendo um bom trabalho de recuperação, pautado na gestão do elenco. A equipe retornou a ponta da Bundesliga e aos poucos, com confiança, vai conseguindo um melhor desempenho.

A partida diante dos parisienses já mostrou traços da última passagem de Heynckes, que rompeu com um pouco do que vinha sendo feito no ciclo Guardiola-Ancelotti. Ao invés de um jogo propositivo, com posse no campo de ataque, o time alemão mostrou linhas compactas e uma versão mais reativa e vertical. Fibra, intensidade e muita concentração para executar este plano de jogo foram fundamentais em um primeiro tempo quase perfeito.

Bayern fechando a saída de bola do Paris. Muita aplicação, que não permitiu as transições por dentro, nem pelos lados.

O habitual 4-1-4-1 fechava o meio campo, abafava a saída de bola e não permitia as transições do Paris Saint-Germain, sempre com muitos passes e rápidos deslocamentos. Coman, Tolisso, James e Ribery bem alinhados a Rudy, posicionado entre as linhas. E uma marcação de encaixes no setor. Por exemplo: quando Verratti entra no setor de James, o camisa 11 cola nele e fecha a linha de passe, mas quando ele se desloca, James segue posicionado. Isso bagunça um pouco menos as linhas e não deixa tantas lacunas como a marcação com encaixes longos, onde o jogador vai até o fim com o seu marcado.

Espaço zero para o trio Rabiot, Verratti e Draxler, com uma saída que não fluía dos pés dos zagueiros do time francês. Isso isolou os laterais e o trio MCN, fezendo Neymar recuar demais em alguns momentos, matando qualquer possibilidade do jogo entrelinhas do adversário.

Bayern compactando seu 4-1-4-1 com encaixes no setor e pressão na bola. Jogo entrelinhas vazio.

Na retomada, a missão do reativo Bayern era acelerar a transição com os laterais no campo de ataque e a chegada dos homens de centro, Tolisso e James. O mais vertical possível. Foi assim que o time bávaro construiu a vantagem de dois gols em 37 minutos.

O Paris voltou do intervalo mais ajustado. Verratti e Draxler pisando o terço final e a saída de bola sendo feita com mais qualidade pelos homens de trás. Isso permitiu um jogo mais efetivo do trio de ataque, que com a movimentação padrão criou boas ocasiões. Neymar apareceu mais solto ao lado de Cavani, compensado por Draxler sem a bola. Atribuições que podem mudar um pouco a característica do camisa 10 também na seleção.

Neymar “sem trabalho” defensivo, guardado para a retomada por dentro. Draxler compensando. Tite ensaiou algo parecido com Fernandinho contra o Japão.

No ótimo passe de Verrati para Cavani, Mbappé diminuiu logo no início da etapa final e deu a sensação de que o time francês chegaria ao empate e talvez até uma virada.

A pressão nos minutos seguintes foi grande, mas se traduziu muito mais em volume do que em chances claras, embora Ulreich tenha feito algumas boas defesas. O Bayern diminuiu o ritmo e a intensidade na marcação, algo natural mas não que não fez com que o time perdesse a organização e a fibra para defender. O panorama deixou o contra-ataque como arma quase que única e também um PSG mais desguarnecido. Foi o que aconteceu quando Coman acelerou no setor de Dani Alves e achou Tolisso para matar o jogo.

A segunda derrota seguida do Paris Saint-Germain deixa lições para Unai Emery, mas ainda não é um sinal vermelho, embora muito barulho vá ser feito. Os tropeços devem muito mais ser encarados como uma forma de não permitir acomodação e oba-oba, além de mostrar correções a serem feitas. Hoje em especial, questões defensivas e soluções para criar diante de marcações inteligentemente fechadas.

Porque mesmo a força de um dos mais temidos times do futebol europeu não foi páreo para a estratégia de Heynckes e a aplicação de um fortalecido Bayern de Munique.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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