Ausência de Arthur trava o Grêmio, que precisará de alternativas para a decisão

O Grêmio teve mais dificuldade do que o previsto na semifinal do Mundial de Clubes diante do Pachuca do México. Acima de tudo pela ausência de Arthur, dono do meio-campo tricolor, com o poder de ditar o ritmo, coordenar as transições e qualificar o jogo ofensivo. Também porque o time treinado pelo uruguaio Diego Alonso fez um jogo melhor do que sonolenta disputa diante do Urawa Reds. Além é claro da natural tensão pela estreia na competição. Talvez até com doses de super valorização e medo do vexame, que muitas vezes tira a concentração necessária.

Saindo do universo subjetivo, o time de Renato começou bem: pressão alta na saída de bola do Pachuca, forçando o erro do portador da bola e fechando as linhas de passe. Isso dificultou demais o primeiro toque da equipe mexicana e facilitou a retomada. O problema estava quando o Grêmio tinha a bola. Porque sem Arthur, faltou o jogador com capacidade de controlar e organizar as ações do meio-campo. Luan tentou recuar pra auxiliar, mas quando o fazia, esvazia o terço final.

Grêmio pressionando o portador da bola e fechando as linhas de passe. Todos os jogadores tinham o mesmo objetivo: roubar a posse.

Esse panorama durou pouco, porque logo os mexicanos conseguiram o controle do meio campo e assim do jogo. Naturalmente a pressão do Grêmio arrefeceu e a equipe de Diego Alonso começou a jogar no erro do tricolor: a primeira grande chance veio com Honda, que abriu a defesa com drible e só parou na travada de Cortez.

O time de Renato não conseguia responder sem que fosse na bola parada. As faltas de Edílson e Fernandinho levaram perigo e indicaram o caminho contra o goleiro Omar Pérez. Longe da melhor forma aos 44 anos e com apenas 1,65 de altura, o arqueiro poderia ser alvo de mais chutes de fora. Um defeito de percepção. Ainda que a grande questão fosse a dificuldade em controlar, se impor e criar.

Contra Michel e Jaílson, este com puras características de marcação e que errou feio no início do segundo tempo quando tentou sair jogando, Honda e Guzmán ganhavam o apoio de Urretaviscaya, que saia da ponta para dentro para criar superioridade e permitir que os homens de centro jogassem entre as linhas do tricolor gaúcho. O Pachuca esteve muito perto de abrir o placar e isso aumentou a tensão.

Urretaviscaya centralizando e homens de centro buscando a entrelinha.

Renato tentou mudar o panorama com Jael na vaga de Barrios, deixando a referência mais fixa. Luan ficou ainda mais solitário no centro da linha de armadores e continuou rendendo muito pouco, marcado de perto por Hernandéz, homem mais fixo do 4-1-4-1 mexicano. O volume do Grêmio aumentou com o passar do tempo e a entrada de Everton na vaga de Michel ajudou nesse sentido. O time ficou mais rápido e com um primeiro passe mais qualificado tendo Ramiro mais atrás. Ainda assim, só um chute de Luan chegou a meta de Perez antes do fim do tempo normal.

O gol da vitória, da classificação e do alívio, veio logo no início da prorrogação. Jogada individual de Everton, que deu muito mais incisividade a linha de armadores, e venceu a defesa, o pequeno goleiro e o medo do vexame gremista. Apenas o segundo acerto ao gol em 21 tentativas!!!

De fato o tricolor foi pouco efetivo, mas o grande problema foi não ter Arthur. Se Ramiro qualificou o passe mais recuado, pode ser opção com Everton, o mais incisivo, na linha de três. Assim como uma dupla formada por Michel e Maicon, de mais qualidade no passe, pode sair jogando no formado original. Renato não terá o grande jogador de seu meio-campo, isso é um fato. Assim como a certeza de que tem melhores alternativas para a grande decisão.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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