Real Madrid é campeão sem forçar. Fica a tentativa honrosa do Grêmio

Os dados estatísticos da FIFA após a vitória do Real Madrid diante do Grêmio ajudam a explicar o título acima. Foram 20 chutes contra apenas um, com sete a zero em acertos ao gol adversário, além de 61% de posse de bola para os espanhóis. Domínio, volume ofensivo, mas pouco aproveitamento. Depois do gol de Cristiano Ronaldo antes dos 10 da etapa final, o time de Zidane passou para um modo mais administrativo, retendo posse e se posicionando sem tantos deslocamentos, sem dúvidas já visando o decisivo clássico contra o Barcelona no próximo sábado. Algo condicionado também pela postura gremista durante os 90 minutos.

Porque depois de um início promissor, subindo as linhas e tentando dificultar a saída de bola do Madrid, o time de Renato recuou e trabalhou apenas próximo a área de Marcelo Grohe. Compactação, concentração e muito vigor na marcação de encaixes curtos no setor da bola, que tentava sempre fechar o passe e impedir a progressão madridista. Destaque para Geromel, preciso nos botes e nas coberturas. Mas sem nenhuma ideia de saída. Outra vez fez falta o passe de Arthur, mas também a velocidade de Luan e Fernandinho, completamente sumidos no jogo. Ficou um ataque contra defesa em 90% do tempo.

Isso facilitou o plano propositivo do gigante espanhol. Com os onze campeões da Europa em Cardiff, o Real Madrid de Zidane fez um jogo de boa mobilidade ofensiva. Isco, Cristiano e Benzema buscando os espaços vazios, Modric se projetando com bola no espaço entrelinhas e Kroos coordenando tudo de trás. Atuação soberba do trio de meio-campo, com destaque para o croata, eleito craque da competição.

Grêmio compacto, marcando com encaixes no setor da bola. Real Madrid buscando os espaços com apoio e movimentações.

Nem com Everton e Jael, tentando um jogo mais físico na referência e veloz pelos lados, o time de Renato Gaúcho conseguiu algum protagonismo. Nem pressão aleatória, com chuveirinhos ou chutes de fora. Seguiu condicionado pela administração do Real Madrid, com menor nível de intensidade, mas com todo o controle da posse de bola e dos espaços do campo, que foram surgindo mais a medida que o tricolor tentava sair. Bale, Modric e até Cristiano Ronaldo perderam chances cristalinas de colocar no placar um pouco mais da realidade do jogo.

Foi o limite do Grêmio, que mostra muito do abismo entre os melhores daqui e os melhores de lá. O Real Madrid não vive seu auge tático e técnico no ano, oscila atuações coletivas e individuais e a distância de oito pontos para o líder Barcelona ilustra isso na Espanha. Ainda assim, não precisou de muito para bater um aguerrido tricolor gaúcho. O time de Renato vai embora sem o título, mas com o consolo de ter feito o máximo dentro do que podia.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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