O balanço final do Brasileirão 2017

Hepta campeão brasileiro em 2017, o Corinthians foi mais uma vez a prova viva de que um time sem grandes investimentos ou vasto elenco pode sim ganhar um campeonato difícil e competitivo. A base da conquista foi a manutenção de uma ideia e uma identidade de jogo. Com um trabalho pautado em organização e desempenho do mais alto nível. Não à toa, o time de Fábio Carille liderou de ponta a ponta e mesmo com a natural queda no segundo turno, não permitiu que ninguém se aproximasse de forma efetiva.

Vice-campeão brasileiro, o Palmeiras teve um ano conturbado dentro e fora de campo. O elenco considerado o melhor do país deveu em desempenho e organização, além das debilidades que também não permitiram sucesso nas Copas. Como muitos, trocou três vezes seu comando técnico e não conseguiu ter um identidade, tão menos uma essência de jogo.

No clássico do primeiro turno, Corinthians organizado, com linhas próximas e pontas retornando para sustentar a defesa. Palmeiras espaçado, com Mina armando e poucas possibilidades de triangulação – o básico para fazer a bola rolar. Tônica do ano de ambos no ano.

Caso semelhante ao do Santos, que viveu um ano para se esquecer dentro de campo. A chegada de Levir Culpi, ainda no inicio da competição, trouxe uma natural injeção de animo. O time conseguiu vitórias que o colocaram na parte alta da tabela, mas a queda de rendimento foi brusca no momento decisivo da competição. As vitórias a base das defesas de Vanderlei e as jogadas de Bruno Henrique ficaram evidentes, como a desorganização da equipe.

O Santos foi outro time que trabalhou muito mal a bola durante o ano. Zeca, com a posse, não tem nenhuma opção de passe. Zero apoio.

Se o Corinthians foi sem dúvida o mais organizado time do futebol brasileiro, o Grêmio jogou, para muitos, o futebol mais vistoso da competição. Mesclando organização e um estilo propositivo bem interessante – e pouco visto -, com muitas trocas de passes e movimentação, sempre coordenadas pelo ótimo Arthur, grande meia da temporada no Brasil.

O G-6 virou G-8, quase um G-9, e deixou a briga por uma vaga na Libertadores um tanto quanto banalizada. Quase metade do campeonato teve a possibilidade de jogar a competição continental. A última vaga direta ficou com o Flamengo, outro que muito investiu, mas pouco mostrou dentro de campo na temporada. Seu elenco cheio de estrelas não conseguiu em nenhum momento ser de fato um time e este é o grande desafio para Rueda em 2018.

Vasco de Zé Ricardo teve um bom padrão de organização na reta de chegada.

Obviamente existem boas noticias, como o Vasco e a Chapecoense, classificada a pré-Libertadores um ano após o trágico acidente aéreo. Zé Ricardo conseguiu recuperar um elenco pouco acreditado e bastante limitado em peças disponíveis. O Vasco conseguiu ser organizado e propositivo, desenhando um promissor ano que vem. Os catarinenses não foram bem administrativamente, trocaram de técnico quatro vezes na temporada e conseguiram com o bom Gilson Kleina um fim de ano de sonhos. 10 jogos de invencibilidade e um estilo reativo e organizado que sofreu poucos gols e acabou com a melhor campanha do returno.

Outro que fez um bom segundo turno foi o Bahia sob o comando de Paulo César Carpegiani. Flertou com a Libertadores após bons ajustes e revelou ao Brasil o ótimo goleiro Jean e o talentoso meia Zé Rafael. Quem também cresceu no segundo turno foi o desacreditado Atlético-MG com Osvaldo de Oliveira. Resgatando Robinho e Fred, sacrificando o time em prol deles e contando com decisivos gols de Otero.

Com Dorival, o São Paulo se reergue com um jogo propositivo de muitos apoios e intensidade.

O São Paulo de Hernanes e Dorival Junior também teve um segundo turno com grandes momentos. No momento em que o inédito rebaixamento parecia cada vez mais próximo, a organização com ideias ofensivas do comandante, mesclada a grande fase do meio-campista tiraram o tricolor da situação difícil e deixaram boas perspectivas para 2018.

A grande decepção do ano foi o Botafogo de Jair Ventura. O time nunca perdeu sua ideia de jogo ou desmanchou seu modelo, pautado em compactação e reatividade. Mas o gás acabou na reta final. O ano com decisões em seu primeiro mês e um elenco muito curto acabou cobrando seu preço. Outro que não tem grandes recordações de 2017 é o Fluminense, esse muito mais pelo trabalho pouco satisfatório de Abel, do que por qualquer outro motivo. Os bons garotos de Xerém e os gols do artilheiro Henrique Dourado, salvaram o tricolor de outra queda.

Botafogo de Jair, sempre compacto e reativo.

Entre os rebaixados, Atlético-GO e Avaí foram os que sofreram mais por falta de qualidade, do que por falta de trabalho. Bem diferentes de Ponte Preta e Coritiba, times extremante limitados e mal organizados dentro de campo. Destaque para mais um trabalho ruim de Marcelo Oliveira, o terceiro em sequência e que agora resultou em uma queda para a Série B.

Se o nível técnico deixou a desejar em muitos momentos, o Brasileirão 2017 ao menos teve times com ideias, modelos assimilados e organização, algo mínimo para quem queira qualquer coisa na temporada. O balanço obviamente não é positivo, mas mais uma vez a discussão em torno do desempenho cresceu. Talvez seja essa a grande herança.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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