O superclássico de várias leituras, vencido por um eficiente Barça

Zidane surpreendeu ao escalar Kovacic na vaga de Isco, quando muitos discutiam o possível retorno de Gareth Bale ao time titular. O francês se espelhou no superclássico que abriu a temporada na Espanha, quando o croata foi importante no combate a Messi e um Barcelona de poucas ideias e o Real Madrid venceu com tremenda facilidade. 

A necessidade da vitória no Bernabéu para diminuir a distância de onze pontos com um jogo a menos, fez com que o Real Madrid começasse com pressão alta e muita intensidade na marcação. Sem descanso ao adversário com a posse. O time de Zidane queria ter a bola, propor e envolver o Barcelona. Com Kovacic ao lado de Casemiro encaixotando Messi, Modric e Kroos apareciam por trás dos volantes catalães e o apoio de Carvajal e Marcelo dava muito volume ao jogo madridista.

Foram no mínimo trinta minutos de muito desconforto para o time de Valverde, que não conseguia transitar, via Messi preso e Suárez isolado no comando de ataque. Sem qualquer controle do meio ou possibilidade de retomada em velocidade. A pressão do Real era incessante. Mas só pôde criar duas ocasiões muito claras ao gol de Stegen: uma jogada de individual de Cristiano sobre Sergi Roberto e uma cabeçada de Benzema que tocou na trave.

Real Madrid pressionando a saída do Barcelona. Era assim também no homem da bola em diversos momentos do primeiro tempo.

O Barça começou a encontrar o caminho com Paulinho saindo do meio campo para se juntar a Suárez na referência. O brasileiro definitivamente não é um jogador de passe e da construção estilo da escola tiki-taka e por isso teve sua contratação tão contestada, mas oferece as catalães um novo estilo de jogo em um momento que Valverde carece de peças. Suas infiltrações se combinam com a ampla visão de Messi para passar a bola. Foi assim nas duas chegadas dos visitantes na primeira etapa, ambas detidas por Keylor Navas.

Real posicionado, Kovacic colado em Messi e Paulinho se projetando.

Se o primeiro tempo foi de um Real sufocante e um Barça com poucas soluções, a etapa final seguiu um roteiro diferente. Os catalães voltaram com a bola e o controle dos espaços, o que não era tão espantoso assim, já que é natural esperar uma inversão de domínio em um clássico de grandes times e jogadores. A mudança brusca aconteceu aos nove minutos. Porque a pressão do Real Madrid arrefeceu e a saída de Busquets encontrou Rakitic livre as costas de Modric, Kroos e Casemiro. O lance que terminou no gol de Suárez teve Kovacic abandonando a zona para perseguir Messi. Efeito dominó. Fatal.

Real Madrid ocupando o campo ofensivo, mas sem pressão. Permitiu a saída limpa e o gol do Barcelona. O jogo mudou nesse momento.

O Real se desarrumou e não conseguiu voltar para o jogo. Passes errados de Kroos e Modric, decisões equivocadas dos laterais e uma marcação que ficou muito espaçada. Desorganização, pane, cansaço. E Messi! Flutuando sem marcação, armando, criando e finalizando. Começou a jogada que terminou no pênalti com expulsão de Carvajal e que ampliou o placar. 25º gol em superclássicos do argentino. Ofereceu a Suárez, André Gomes e Semedo a chance do terceiro. Foi fundamental.

Zidane recompôs com Nacho e no desespero colocou Asensio e Bale pelos lados, recuando Modric e Kroos para o centro nas vagas de Casemiro e Kovacic. Os donos da casa conseguiram criar mais ao menos três chances claras, mas esbarraram no muro Ter Stegen. Outro grande responsável pela exitosa campanha do Barça.

Ainda deu tempo para Aleix Vidal “matar” o jogo em nova assistência de Messi. Dono de nada mais, nada menos que 10 ocasiões claras de gol no Santiago Bernabéu.

A vitória dos catalães é emblemática e coloca 14 pontos entre os eternos rivais (com um jogo a mais do Barça). O superclássico porém, tem diferentes leituras. Pode se destacar a ideia de marcar Messi de perto e sua influência no jogo mesmo bem vigiado, mas também podemos falar de um Barça que não é brilhante, mas altamente eficiente ou de um Real que pressiona, mas não cria de forma conclusiva.

Passaram-se quatro meses desde que os catalães foram vencidos no Bernabéu e a equipe de Ernesto Valverde ainda tem atuações bem discutíveis e um jogo cada vez mais dependente de seu camisa 10. Ainda assim, há cada rodada o “novo” Barça demonstra mais de seu estilo eficiente, em um modelo de jogo sem tantos toques e brilhos coletivos como na Era Guardiola e em momentos com Luis Enrique, mas que têm conseguido vencer e aumentar o nível de confiança, algo extremamente importante.

Facebook Comments

Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *