As leituras de Carille e Dorival em mais um clássico vencido pela identidade alvinegra

As leituras de Fabio Carille e Dorival Júnior antes da bola rolar no Pacaembu foram quase que uma previsão do que aconteceu em campo. O técnico do timão falou de um São Paulo que exploraria os lados do campo, em busca das costas de Fagner e Juninho Capixaba. O comandante tricolor destacou o modelo estabelecido do rival, mesmo com mudanças, que deixava a equipe em melhores condições para o primeiro majestoso de 2018.

O gol de Jadson no começo, depois de bela troca de passes e movimentação que quebrou as linhas do time de Dorival, terminou de prender a balança em favor do Corinthians, e deu ao time de Carille a possibilidade de jogar de forma mais confortável: compactando as linhas e esperando o São Paulo para reagir, sempre tentando quebrar o passe com melhor posicionamento e a “bola cobertura”, que é sempre fechar a visão de quem tem a posse e evitar o passe mais à frente.

4-1-4-1 versão 2018 do Corinthians. Linhas próximas e pressão no portador da bola.

Fosse com Jucilei, Rodrigo Caio ou Anderson Martins, os visitantes tinham muita dificuldade em sair jogando, justamente pelo bom posicionamento do Corinthians. A boa opção foi inverter a bola, que pegava a defesa mal posicionada em alguns momentos, e buscar os lados do campo – como destacou Carille. As dobradinhas Edimar-Brenner e Militão-Marcos Guilherme deram trabalho e possibilitaram o empate: centro de Militão da direita, gol de Brenner fechando na trave esquerda.

Jucilei saindo entre os zagueiros, com Corinthians fechando as linhas de passe e dificultando a transição.

A produção alvinegra aumentou instantaneamente, voltando a explorar as costas dos volantes, como no primeiro gol. Jadson e Rodriguinho muito confortáveis jogando por trás de Shaylon e Petros, jogadores que se espelham no 4-1-4-1 das equipes. O que deixou a última linha em momentos exposta, sobrecarregou Jucilei e permitiu jogadas criativas. Como na bola em que Rodriguinho saiu livre e chutou pra defesa de Sidão, no escanteio Balbuena anotou.

Sem Cueva e à espera de Nenê e Trellez, o tricolor sentiu a falta de um articulador, alguém que pudesse pensar melhor o jogo. Embora tenha tentado se movimentar, Diego Souza ficou isolado no comando de ataque e as jogadas pelo lado seguiram sendo quase que a única alternativa em busca de um novo empate. Isso fez Carille “baixar” um pouco mais suas linhas na etapa final, em alguns momentos, como na imagem abaixo, com os pontas formando uma linha de seis atrás, sustentando a defesa e cortando as infiltrações do São Paulo. Os três do meio balançavam à frente da área e dificultavam a infiltração por ali também. Porque cada vez mais, o futebol é um jogo de espaço, ou melhor: da busca por ele. O Corinthians é especialista em dificultar essas ações do adversário.

Pontas recuando para formar linha de seis, sustentando a linha de defesa.

E mais uma vez venceu porque é um time mais pronto. Modelo consolidado e ideias mais bem executadas, que mesmo com mudanças, teve impacto mínimo em relação ao melhor que este Corinthians pode produzir.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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